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Eventos 14/07/2026

Estrategista Político aponta para os riscos da polarização na disputa eleitoral

Dados apresentados por Tiago Esteves, na Reunião Jantar do Simecs, mostram que indecisos devem eleger o próximo presidente

A última reunião jantar promovida pelo Simecs, dia 7 de julho, trouxe a Caxias do Sul o mestre em Ciência Política e estrategista Tiago Esteves, da empresa Eixo, que já atuou como consultor direto de candidatos ao Planalto em três campanhas presidenciais. Atento aos dados das pesquisas, Esteves aponta o perfil de um eleitorado extremamente polarizado, que não dialoga entre si e que pode deixar com que o resultado das eleições fique nas mãos dos indecisos e das pessoas que não costumam participar muito da política. 

Antes dos dados específicos, apresentou análises do perfil de  grande parte dos eleitores atuais. “É um brasileiro que vem mudando de religião, mudou de preferências musicais, e principalmente de regime de trabalho. Trabalhar não é problema, ele pode trabalhar “60 horas por dia”, mas desde que tenha autonomia para trabalhar nos horários que preferir, sem precisar pegar duas horas de trânsito, usar uniforme… o que vai trazer um grande problema. Essa uberização destrói a construção de carreiras e futuramente o trabalhador não terá mais condições de seguir neste ritmo e provavelmente não terá reservas financeiras.”

As pesquisas mais recentes, apresentadas pelo especialista, informam que 35% dos eleitores estão com Lula, 35% estão com Bolsonaro e 30% estão indecisos. Porém, desses 30%, de indecisos, 20% não participam da política (têm tendência a não votar) e 10% são os que votam e, justamente pela indecisão, têm votos cambiáveis e são muito influenciados pelo factual.

Outro dado importante mostrado pelas pesquisas é que dos 35% que já declararam voto, apenas uma pequena parcela realmente está “totalmente fechada” com o principal candidato da esquerda ou da direita. Os que afirmam ser lulistas, são 19%;  os que não abrem mão da família Bolsonaro, são 14%. O restante do percentual de 35%, tanto de um candidato como o outro, fazem a opção por serem anti-bolsonaristas ou antipetistas.

Ou seja, a maior parte dos eleitores não está com o candidato pelo projeto, mas para não dar oportunidade ao outro. Então, afirma Esteves, “mesmo se ocorresse a troca de Flávio Bolsonaro por outro candidato, ou de Lula, os novos nomes de direita e esquerda continuariam com altos índices de intenção de votos, o que torna muito difícil a concretização de uma terceira via nesta eleição.”

Outro fato que corrobora para o enfraquecimento dos demais candidatos é uma característica da população que, segundo os estudos, vem se consolidando a cada ano: as pessoas dialogam apenas com seus iguais. “É gravíssimo, as pessoas não querem ouvir ideias diferentes das que já têm.”

Já se referindo a eleição no geral, que abrange ainda os cargos de governador, deputados e senadores, o palestrante recomenda aos empresários pressão para que os candidatos não façam promessas que, após a eleição, possam desestabilizar ainda mais a economia e acarretar em aumento geral de custos. “É muito convidativo prometer de tudo, aumento no valor de benefícios e outras questões, que depois sabemos quem vai pagar.” 

Sobre o fim da escala 6x1, já aprovada pela Câmara dos Deputados e que ainda não entrou oficialmente em tramitação no Senado, Esteves considera problemática a votação da temática em ano de eleição. “Chegamos ao ponto de um candidato de oposição ao governo sugerir uma escala 4x3! Foi um debate muito rasteiro.” 

O presidente do Simecs, Paulo Scopel, conduziu as perguntas após a palestra e contou aos presentes que ele e o vice-presidente de Relações Institucionais Gustavo Polese estiveram antes na Fiergs, em Porto Alegre, para participar da entrega das reivindicações da indústria ao próximo governo do Estado. Participaram os candidatos: Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL). O documento está disponível no Simecs, para consulta de qualquer associado.

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