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Eventos 16/10/2026

Comitiva do SIMECS acompanha, na Itália, novas tecnologias para área de Ferramentaria

Missão levou indústrias associadas à BI-MU  (Biennale della Macchina Utensile), em Milão 

Uma comitiva do SIMECS (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul e Região) acaba de retornar da 35ª edição da BI-MU (Biennale della Macchina Utensile), realizada de 13 a 16 de outubro, em Milão, na Itália. A missão é resultado de uma parceria entre o SIMECS, a Agência Italiana de Comércio Exterior - ITA (Italian Trade Agency) e a UCIMU-SISTEMI PER PRODURRE, associação italiana dos fabricantes de máquinas-ferramenta, robôs e sistemas de automação. A BI-MU é a principal feira italiana e uma das maiores do mundo voltada para a indústria manufatureira, cobrindo setores como máquinas de corte e conformação de metal, robótica, automação, manufatura aditiva/digital, entre outras tecnologias. 

“Realizamos esta missão empresarial para colocar a indústria da Serra Gaúcha em contato com a evolução de um tradicional fornecedor de equipamentos e com soluções que podem orientar novos investimentos em produtividade e competitividade” - afirma Paulo Scopel, presidente do SIMECS. “Essa conexão ganha novos contornos com o avanço da automação, da digitalização e da inteligência artificial aplicada à produção, ampliando as possibilidades de cooperação tecnológica entre empresas brasileiras e italianas” - complementa Scopel. Além dos integrantes da diretoria do Simecs, participaram associadas de Caxias do Sul, São Marcos, Farroupilha e Veranópolis.  

Para Evandro Santos, gerente de produção da Tramontina Farroupilha, a BI-MU oferece excelentes oportunidades e proporciona muitos insights, principalmente por ser um  evento focado em soluções personalizadas. “Conseguimos alinhar questões com fornecedores e, sabemos que o contato direto ajuda muito. Trocamos várias ideias. Surgiram várias oportunidades para a Tramontina”.

Para um polo metalmecânico como a Serra Gaúcha, essa aproximação tem relevância prática. Conhecer tecnologias, avaliar aplicações e estabelecer contato com fornecedores são caminhos para identificar soluções adequadas aos desafios das empresas da região, como reduzir desperdícios, aumentar a precisão, melhorar prazos de entrega e produzir itens de maior valor agregado. “Gostei muito da Feira, vimos algumas novidades que eu não conhecia ainda. Experiência muito válida” - ressalta Silvane Zan, da Matrizaria Cardoso, empresária que integrou a comitiva. 

A dimensão da indústria italiana ajuda a explicar a importância dessa relação. Segundo os dados apresentados pela UCIMU durante a feira, a Itália ocupa a quinta posição entre os fabricantes mundiais e a quarta entre os exportadores de máquinas-ferramenta. Para o conjunto italiano de máquinas-ferramenta, robôs e automação, a entidade projeta produção de € 6,64 bilhões (seis bilhões e sessenta e quatro milhões de Euros) em 2026, crescimento de 3,9% sobre 2025.

Tecnologia e perspectivas de investimento

Segundo a organização, a BIMU reúne 400 empresas, com 15% de participação estrangeira, distribuídas em 40 mil metros quadrados e dois pavilhões. A programação internacional inclui uma iniciativa da ITA e da UCIMU para receber compradores industriais e jornalistas de 16 países, entre eles o Brasil.

A exposição abrange máquinas para usinagem e conformação de metais, robótica, manufatura aditiva, ferramentas, metrologia e controle de qualidade. Também estão presentes soluções de manufatura digital, análise de dados, segurança cibernética e integração de sistemas, evidenciando a conexão crescente entre equipamentos e gestão da informação nas fábricas.

Pesquisas apontam previsão de crescimento acumulado de aproximadamente 26% no consumo mundial de máquinas-ferramenta entre 2025 e 2029. Nas Américas, a expansão prevista é de 22%.

O Brasil aparece na 16ª posição entre os consumidores de máquinas-ferramenta no ranking apresentado pela UCIMU. Em 2025, o mercado brasileiro movimentou aproximadamente € 1,125 bilhão, com alta de 1,7% em relação ao ano anterior. Os números dimensionam a demanda por equipamentos que sustentam a produção e a atualização tecnológica da indústria nacional.

Inteligência artificial e qualificação

A evolução de máquinas cada vez mais digitais, conectadas e inteligentes foi um dos temas apresentados pelas lideranças italianas. Entre as tendências está a chamada “Physical AI”, ou inteligência artificial aplicada a máquinas e processos físicos de produção, anunciada como um dos focos da EMO Milano 2027.

O avanço tecnológico também vem acompanhado da necessidade de desenvolver competências. Na apresentação da próxima EMO, os organizadores anunciaram uma área destinada a aproximar empresas, universidades, instituições de ensino técnico, centros de pesquisa e organizações de inovação, com atividades voltadas também a estudantes e startups.

Para a indústria regional, essa relação entre tecnologia e pessoas é decisiva: incorporar equipamentos exige preparar equipes para operar, integrar e transformar os investimentos em resultados.

Condições para modernizar e novas conexões

Os materiais apresentados destacaram ainda a experiência italiana de incentivos à modernização industrial. A UCIMU associou os programas de estímulo à aquisição de máquinas e tecnologias ao fortalecimento da demanda interna e à renovação das fábricas.

A experiência amplia uma discussão relevante para o Brasil: como criar condições para que as empresas transformem a necessidade de inovar em investimento efetivo. Acesso a financiamento, previsibilidade e capacitação integram esse desafio e ajudam a contextualizar as tecnologias acompanhadas pela comitiva do SIMECS.

A agenda na Itália também abre caminho para novas conexões. O SIMECS já iniciou as tratativas para uma nova missão empresarial à EMO Milano, que será realizada de 4 a 8 de outubro de 2027. A Feira é o principal evento mundial de tecnologia de fabricação e metalurgia considerada o mais importante do do setor de máquinas-ferramenta. A proposta do SIMECS é dar continuidade à aproximação com fornecedores e parceiros internacionais e ampliar o acesso das empresas da região às tecnologias de máquinas-ferramenta, robótica, automação e inteligência artificial aplicada à produção.

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